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Voltar GERAL Em 10/08/2026

O VALOR DE UM ENCONTRO

O VALOR DE UM ENCONTRO

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Há acontecimentos que nos obrigam a rever prioridades. A pandemia de Covid-19 foi um deles. O isolamento, as perdas e a consciência da fragilidade da vida levaram muitas famílias a refletirem sobre o que realmente importa.


No nosso caso, a reflexão começou com uma constatação incômoda. Desde a morte de nossos pais, em 2014, nós, quatro irmãos, estávamos aos poucos nos distanciando. Não por falta de afeto, mas porque a vida impõe seus próprios caminhos. Dois continuaram em Monteiro, no Cariri Paraibano, e dois seguiram morando em João Pessoa. Todos porém mantivemos laços com nossa terra e alguns negócios em Monteiro, mas os encontros familiares se tornaram cada vez mais raros.


Percebemos, então, que o maior risco não era a distância física. Era a distância afetiva. E ela costuma crescer de forma silenciosa, quase imperceptível, até que um dia nos damos conta de que filhos, netos, genros e noras já pouco convivem entre si.


Foi assim que, em 2022, decidimos criar uma tradição em nossa família. Todos os anos, em um fim de semana de julho, nos reunimos em minha fazenda. Não há uma programação sofisticada nem grandes cerimônias. O mais importante é estarmos juntos, conversar sem pressa, compartilhar refeições, recordar histórias e permitir que as novas gerações construam suas próprias lembranças familiares.


Esses encontros têm um significado que vai muito além da confraternização. Eles representam um investimento naquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a convivência. Em uma época em que as relações acontecem cada vez mais pelas telas dos celulares, o abraço, a conversa à sombra de uma árvore, a mesa cheia e as brincadeiras entre crianças de diferentes idades tornam-se um patrimônio precioso.


Nossa família já reúne 45 pessoas entre filhos, netos, genros e noras. É um número que impressiona, mas o que realmente importa não é a quantidade. É saber que cada um conhece sua história, reconhece suas raízes e entende que faz parte de algo maior do que a própria individualidade.


Vivemos tempos em que as agendas são apertadas, os compromissos se multiplicam e a correria parece justificar todos os adiamentos. Sempre haverá um motivo para deixar um encontro para o ano seguinte. O problema é que o tempo não espera. As crianças crescem, os adultos envelhecem e aqueles que hoje ocupam o centro das fotografias familiares, um dia, estarão apenas nas lembranças.


Talvez a maior herança que possamos deixar às novas gerações não seja material. Pode ser simplesmente o hábito de estarem juntas. Porque famílias não permanecem unidas por acaso. A união também precisa ser cultivada, ano após ano, como quem cuida de uma árvore: com presença, dedicação e afeto.


A vida segue. Mas ela segue muito melhor quando sabemos de onde viemos, com quem caminhamos e para quem queremos deixar nossas melhores lembranças.


Carlos Batinga Chaves

Filho mais velho de Dona Terezinha Batinga e Seu Natanael Chaves

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